
O governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, apresentou ao Brasil, durante negociações comerciais realizadas em 2025, uma proposta para que chamados “dissidentes políticos” não fossem impedidos de participar das eleições presidenciais de 2026.
A informação foi confirmada nesta quinta-feira (17) por fontes do Itamaraty após a divulgação do documento pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo as informações, a exigência fazia parte de uma lista de 21 pontos apresentada pelos americanos durante as tratativas relacionadas ao tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros.
O documento também cobrava que o Brasil garantisse eleições “livres e justas” e não detivesse ou restringisse arbitrariamente a participação de opositores.
De acordo com integrantes da diplomacia brasileira, os Estados Unidos não especificaram quais pessoas seriam classificadas como “dissidentes políticos”.
Fontes do Itamaraty afirmaram que o governo brasileiro considerou a proposta inaceitável e que o assunto não avançou para as negociações formais, tendo circulado apenas entre integrantes técnicos das duas chancelarias.
O tema não teria chegado ao ministro Mauro Vieira, ao secretário de Estado americano Marco Rubio ou aos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Na época das negociações, Trump havia feito críticas ao tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mas as reportagens ressaltam que o documento não indicava nominalmente quem seriam os “dissidentes”.